Tema:
LEVANTAMENTO DE SEIO MAXILAR VIA CRISTA:
PROPOSTA DE TÉCNICA HÍBRIDA
INTRODUÇÃO
Paciente do sexo masculino, 54 anos, leucoderma, compareceu a clínica odontológica com necessidade de realizar implante na região do elemento 26. Após solicitação e análise da tomografia, constatou-se que paciente apresentava na área de eleição, para instalação do implante, um remanescente ósseo que variava de 4.7mm a 6.63mm, entre o rebordo e o soalho do seio maxilar.
Foi proposto ao paciente realizar o implante junto a um levantamento de seio maxilar via crista. É importante frisar que o paciente ao compreender sua demanda, solicitou que fosse proposto uma cirurgia que não envolvesse o uso de martelo, reflexo da experiência negativa em outra cirurgia na qual foi empregada a técnica tradicional de Summers.
Figura 1. Tomografia inicial, cortes com variação de medidas da área de eleição,
4,7 mm e 6,63 mm respectivamente.
Fonte : própria autora
O alvéolo do implante foi preparado seguindo os princípios preconizados por Summers determinando a profundidade da perfuração com 1 mm de recuo do soalho do seio maxilar. Como a região apresentava o aspecto do trabecular ósseo semelhante as características de um osso de densidade tipo III/IV foi utilizado a sequência de alargadores ósseos, do Kit Bone Expander® (Maximus), com a intenção de compactar o alvéolo, afim de obter maior travamento do implante e eficiência na estabilidade primária.
Com a broca piloto da empresa Maximus (Figura 2), puncionei o local em que faria a perfuração com a broca 1.3 ( inicial do kit Bone Expander). A ideia da broca piloto é uma descorticalização no local de perfuração, bem como guiar a perfuração inicial. Em seguida realizei a perfuração com a broca helicoidal 1.3 (Figura 3) com 5.63 mm, estabelecendo um recuo do soalho do seio maxilar de 1mm. Posteriormente utilizei o alargador 1.6 seguindo a sequência de alargadores Bone Expander até o diametro de 3.3 compactando o alvéolo (Figura4)
Na sequência para executar a liberação do soalho, e promover o levantamento do seio maxilar, utilizamos a Trefina LSM com stop® (Maximus) e o Compactador de Summers® com stop (Maximus).
A Trefina LSM com stop®(Figura 5) é um instrumento rotatório que foi regulada com a altura do alvéolo conformado de acordo com a medida representada na tomografia, acrescentando-se a espessura de tecido ósseo deixada entre o alvéolo e a cavidade sinusal. Determinamos o comprimento de 6.63 mm, ou seja, a profundidade do alvéolo somada a espessura do tecido ósseo remanescente entre o ápice e membrana sinusal. Após a conformação do alveolo até a medida de 3.3, a trefina foi utilizada sob irrigação, a uma rotação de 420 rpm e constatou-se um sinuoso deslocamento do soalho, apresentando mínima resistência.
O corpo da trefina possui um stop, uma rosca, que é travada por uma contraporca utilizando uma cave que possui em sua haste uma régua milimetrada. Nesta régua, a ponta ativa da trefina é ajustada para que o comprimento mensurado no planejamento seja definido, e esteja atuando para criar pontos de fragilidade no soalho do seio maxilar (Figura 6). A extremidade da ponta ativa da trefina possui laminas que apresentam o design semelhante as brocas neurológicas, que possuem a capacidade de promover osteotomia, mas que em contato de sua ponta com a membrana sinusal não impõe o risco de rompê-la, durante esta etapa do procedimento.
Figura 5. Trefina LSM® ajustada no pré cirurgico.
Fonte: Concedida pela empresa Maximus
Após o uso da Trefina LSM®, o Compactador de Summers com stop® (Figura 6) foi introduzido, para certificar a liberação do soalho, pressionando-o no sentido apical, sem uso do martelo. O stop do compactador foi regulado de acordo com a imagem da tomografia, altura de 6,63mm (Figura 6).
Normalmente não se faz necessário o uso do martelo para introdução do compactador e realizar esse avanço, apenas uma pressão no sentido apical, já possibilita esse deslocamento.
Figura 6.Compactador de Summers com stop
Fonte: Concedida pela empresa Maximus
Após o rompimento do soalho, voltou-se a utilizar o último alargador numa velocidade de 600 rpm,para inserção no interior do alvéolo conformado, o biomaterial. Nesta cirurgia utilizou-se um biomaterial de granulação intermediária que foi previamente particulado e associado ao I-prf, que adiquiriu uma forma pastosa facilitando a inserção no alveolo, bem como protegendo a membrana de possíveis perfurações causadas pela granulação do biomaterial.
A introdução do biomaterial foi utilizando a cureta LSM 6 (figura 7), que possui um dosador que torna possível mensurar a quantidade de biomaterial inserido para cada mm que deseja-se obter no levante da membrana. A cada 1 dosador e meio que introduzido, para um diametro de implante de 3.5, ganhou-se 1 mm de levante da membrana. Nesta técnica tambem associei uma quantidade de soro que ia colocando dentro do alveolo acionando o alargador em uma velocidade de 600 rpm, até a profundidade de 6mm. No total foram 6 dosadores para obter 6 mm de altura, no descolamento da mebrana sinusal.
Figura 7. Cureta LSM 6
Fonte: Concedida pela empresa Maximus
Ao final, o implante foi instalado alcançando uma estabilidade primária, com torque de 35 N/cm² (figura 8). Observa-se o biomaterial condensado no interior da cavidade sinusal ao redor do corpo do implante com característica radiográfica semelhante ao tecido ósseo do paciente, efeito obtido através do preparo prévio do biomaterial como mencionado neste documento.
Figura 8. Radiografia final do procedimento